outubro 05, 2004

Viver não custa, o que é preciso é saber viver!

Pegando nesta máxima referida no post anterior, lembrei-me de repente de um caso verídico ocorrido aqui há uns anos atrás.
Um agricultor da zona saloia, nos arredores de Lisboa, estava com graves problemas financeiros na sua exploração agrícola. Contudo, esperava tirar de um couval que possuía dinheiro suficiente para liquidar as dívidas em atraso.
Um negociante agrícola – um intermediário, como é vulgar dizer-se - que operava na zona foi ver o couval e ofereceu apenas vinte contos pelas couves. O agricultor, aflito, respondeu que as couves valiam cinquenta contos, e que precisava com urgência de quarenta para liquidar as dívidas. O negociante, inflexível, retorquiu que o negócio ia mal e que o máximo que podia oferecer era os vinte contos.
Perante a urgência no negócio, o agricultor pensou que vale mais um pássaro na mão do que dois a voar: com os vinte contos saldava metade da dívida e o resto logo se veria.
Passado dias, estava o tal negociante numa esplanada com um amigo tomando uma cerveja, quanto passou do outro lado da rua o agricultor que caminhava com ar sombrio.
Nisto diz o negociante para o amigo:
- Oh pá, estás a ver aquele sujeito de barrete no outro lado da rua?
- Sim estou! O que é que tem?
- Aquele é o palerma a quem comprei o couval por vinte contos!
- Aquele a quem compraste as couves por vinte contos e que depois vendeste no dia seguinte por sessenta contos?
- Esse mesmo! Que grande negócio! E olha que nem deu trabalho nenhum, pois quem mas comprou, as couves, é que ainda teve de as ir lá apanhar ao terreno.

Se alguém ainda tinha dúvidas, “tire o cavalinho da chuva” porque,
Viver não custa, o que é preciso é saber viver!

Publicado por vmar em outubro 5, 2004 01:03 AM
Comentários

Capitalismo, capitalismo, capitalismo, capitalismo,Capitalismo, capitalismo, capitalismo, capitalismo,Capitalismo, capitalismo, capitalismo, capitalismo,

E NÃO SE PODE EXTERMINÁ-LO?

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em outubro 5, 2004 01:59 AM

pois, pois... eu tou ali com o zeca! nao se pode exterminar o dito?
mas é um facto, a minha avó dizia isto tantas vezes...

Afixado por: pandora em outubro 5, 2004 02:32 AM

Sem dúvida amigo Victor. Se há coisas que abomino é o oportunisto negocial que faz enriquecer chicos espertos, que ainda por cima se consideram inteligentes.

Afixado por: congeminações em outubro 5, 2004 12:03 PM

Eu diria. Ser desonesto é fácil, viver com honestidade é que é difícil.

Afixado por: misswyoming em outubro 5, 2004 05:50 PM

Vmar, para lá do que já foi dito e bem, nos comentários anteriores, a mim ficou, ao ler, uma congeminação: o "barrete" era eufemismo teu ou era mesmo um daqueles de borla na ponta?! se sim, a história é mesmo história para recordar! Se não, se empregaste o termo como se fora "boné", bom aí:o homem do couval teria ouvido? Se não...acabou, tá tudo dito. Se sim, na acredito que o homem se calasse e, se o fez/fazem, então temos uma história mais para contar!!
Complicada, eu?! Divergente do essencial?! Olha que não, olha que não!!! Um abraço!

Afixado por: seila em outubro 5, 2004 06:17 PM

Essa praga dos intermediários é do piorio!
Abomino-os!

Afixado por: canzoada em outubro 5, 2004 08:12 PM

Há mts couvais por aí...tb acredito,melhor, tenho a certeza que há imensa gente honesta...a luta está à nossafrente, pertinaz,imoral, etc...
...eu tenho um sonho...
Um abraço do morfeu

Afixado por: morfeu em outubro 5, 2004 08:55 PM

Infelizmente essa é uma raça dificil de exterminar. Florescem por ai, por cada canto!! Beijinhos Ana e Vmar. Desejo de uma excelente semana!

Afixado por: Maria Branco em outubro 5, 2004 09:20 PM

Ninguém terá certamente dúvidas, que a sociedade está dividida entre quem produz e quem comercializa (rouba).
E acabam por ser estes últimos, quem mais protecção tem.

Afixado por: jgonçalves em outubro 5, 2004 10:55 PM

Seila, no termo “barrete” estava implícito um certo eufemismo, um pouco de realismo e mesmo de metáfora. O barrete além de típico da região aplica-se muitíssimo bem à situação descrita, penso eu.
Casos semelhantes continuaram e continuam a acontecer, mudaram foi os nomes - os couvais têm hoje os mais vários termos, alguns de uma grande complexidade morfológica (palavra) e técnica.

Afixado por: vmar em outubro 5, 2004 11:24 PM

Adoro metaforas.O tipo que compras as couves é o nosso governo,os governantes em geral reunidos sob o nome de governo o que dá uma margem mais flue para actuarem.Depois o homem que vende as couves somos nós.
Podemos chamar as coisas pelos nomes,não é verdade!?Bolas ,por enquanto é o que nos resta,a não ser é claro que já haja de novo alguma pide tão tão secreta que ainda não dei por ela...:)houve tempos em que me aconteceu isso,só dei pela malandra já estava a olhar para mim..de frente:)

Afixado por: annie hall em outubro 6, 2004 01:06 PM